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Bom gosto na arquitetura vai muito além do que está na moda

Publicado em 16/09/2026
Bom gosto na arquitetura vai muito além do que está na moda


Para a arquiteta Isabella Nalon, equilíbrio, repertório e escolhas que tenham relação com a história dos moradores é mais importante do que estilo ou valor das peças.
 

Entre peças de presença marcante, materiais naturais e composições mais suaves, a arquiteta Isabella Nalon explora diferentes caminhos para criar ambientes em que cada escolha encontra seu lugar e o conjunto ganha coerência | Fotos: Julia Herman


O que faz uma casa ter bom gosto? A pergunta parece simples, mas a resposta está longe de caber em uma fórmula. Uma pessoa pode se encantar por um ambiente clássico, enquanto outra prefere linhas minimalistas ou uma composição cheia de cores e objetos. E tudo bem. Na arquitetura e no design, o gosto também passa pela cultura, pela história, pelas referências e pela sensibilidade de cada um.
Para a arquiteta Isabella Nalon, porém, existe um ponto de encontro entre tantas preferências diferentes. O bom gosto aparece quando as escolhas fazem sentido juntas, respeitam as proporções do espaço e, principalmente, conseguem contar alguma coisa sobre quem vive ali. “O bom gosto é subjetivo, mas existe uma parte que conseguimos definir melhor, que está relacionada à proporção, ao equilíbrio e à coerência”, explica.


Não existe receita pronta
Um ambiente pode seguir praticamente qualquer linguagem estética e ainda assim ser bem resolvido. O que muda é a forma como essa linguagem é construída. Um projeto contemporâneo, por exemplo, não precisa abrir mão de objetos afetivos, assim como uma decoração clássica não precisa ser carregada para transmitir sofisticação.
A percepção acontece no conjunto. Iluminação, materiais, mobiliário, obras de arte, cores e objetos precisam estabelecer algum tipo de conversa. Quando isso acontece, mesmo quem não escolheria aquela decoração para a própria casa consegue perceber que existe uma intenção por trás dela.
“Não é o estilo que vai determinar se a pessoa tem bom gosto ou não, mas tudo que foi feito ali dentro daquele espaço. Muda o estilo, muda a linguagem, muda a história que está contando, mas o bom gosto permanece”, afirma Isabella. É justamente por isso que alguns ambientes provocam uma sensação agradável antes mesmo de ser possível identificar exatamente o motivo.


Quando todo mundo quer aparecer
Um dos caminhos para essa harmonia está em entender que nem tudo precisa disputar atenção. Ao escolher materiais, revestimentos, mobiliário e objetos, é preciso estabelecer uma espécie de hierarquia visual. Isabella costuma trabalhar com dois ou três elementos de maior importância e deixar que os demais construam camadas mais suaves ao redor deles.
 

Neste living, a arquiteta Isabella Nalon parte de uma base neutra e deixa que o tapete, os detalhes em madeira e os pontos de azul e terracota conduzam o olhar | Fotos: Julia Herman

A lógica vale para qualquer ambiente. Se quatro tipos de pedra marcantes, uma marcenaria chamativa, obras de arte e mobiliários igualmente protagonistas forem colocados juntos, a composição pode perder justamente aquilo que pretendia transmitir. “Nem todo mundo pode ser protagonista no mesmo espaço. Temos que ter esse equilíbrio”, resume.


Sofisticação não vem com etiqueta de preço

A estante assinada por Isabella Nalon ganha outra dimensão com a presença de peças cerâmicas feitas por mulheres do Vale do Jequitinhonha (MG), que mostra como o artesanato acrescenta personalidade e calor a uma composição sem depender de objetos de grande valor| Fotos: Rafael Renzo

Há também uma confusão frequente entre bom gosto, sofisticação e dinheiro. Uma peça cara pode ser maravilhosa, mas seu valor não garante que ela vá funcionar dentro de determinada composição. Da mesma forma, um objeto simples pode se tornar um dos elementos mais interessantes de um ambiente quando escolhido no contexto certo.
Para a arquiteta, até a própria ideia de sofisticação precisa ser relativizada. Materiais naturais, objetos artesanais e peças produzidas com técnicas tradicionais podem alcançar um resultado sofisticado sem necessariamente representar um grande investimento. “O bom gosto não está relacionado ao quanto foi investido, mas muito mais ao processo de escolha daquela peça, por que ela está ali”, diz Isabella.

A casa não precisa parecer uma vitrine
Talvez seja aí que o conceito deixe de ser apenas uma questão estética. Um ambiente pode estar impecável nas fotografias e, ainda assim, não ter relação alguma com as pessoas que vivem nele.
 

Essa estante com mais de 2 mil livros revela uma escolha de Isabella Nalon para fazer daquilo que faz parte da vida do morador também parte da casa | Fotos: Julia Herman

Para evitar esse resultado, o trabalho começa antes da escolha de qualquer acabamento. Isabella procura ouvir os clientes, observar seus hábitos e conhecer o espaço onde vivem atualmente. O objetivo é perceber coisas que muitas vezes nem os próprios moradores conseguem explicar diretamente. “Às vezes nem o morador sabe falar aquilo que ele é, aquilo que ele sente. E às vezes as respostas estão nas entrelinhas. Então temos que observar e ouvir muito”, conta.
 Este piano de cauda ocupa um lugar de protagonismo neste projeto de Isabella Nalon, seja pela presença marcante da peça, mas também por representar um interesse pessoal incorporado à decoração de maneira natural | Foto: Julia Herman


É dessa investigação que podem surgir livros, obras de arte, objetos, instrumentos musicais, móveis com valor afetivo ou determinadas cores. Esses elementos ajudam a construir uma casa que tenha pertencimento.


O olhar também precisa de espaço
Em uma decoração mais simples ou com orçamento reduzido, a lógica permanece. Não é necessário preencher cada parede, escolher objetos caros ou apostar em grandes intervenções para alcançar um resultado visualmente interessante.
Uma boa curadoria pode ser suficiente para estabelecer uma composição coerente. Isabella chama atenção para a importância de uma paleta de cores que faça sentido, da circulação bem planejada e das chamadas áreas de respiro, aquelas partes do ambiente que não precisam necessariamente receber um objeto ou uma informação visual.
 

A escolha de poucos elementos ganha força neste quarto assinado por Isabella Nalon, onde tons neutros predominam e detalhes em vinho e madeira aparecem de forma pontual, sem que o ambiente precise ser preenchido para revelar personalidade | Fotos: Julia Herman 

Nesse caso, o que parece ausência também é uma escolha. O espaço vazio ajuda a valorizar aquilo que foi selecionado.


O tempo também faz parte do projeto
Existe ainda uma camada menos visível nessa construção. Para chegar a um ambiente que pareça natural, existe um processo de pesquisa, seleção, combinação e implantação. O resultado não nasce simplesmente da reunião de objetos bonitos. Isabella associa o bom gosto a essa soma de camadas. Há o cuidado com o espaço, a narrativa, o repertório, a personalidade dos moradores, o alinhamento entre as escolhas e até o tempo necessário para que o projeto seja efetivamente implantado e produzido.
É por isso que o resultado pode aparecer tanto em uma composição sofisticada e cheia de referências quanto em uma casa mais simples, com poucos elementos e materiais naturais.

“Quando observamos o espaço, percebe a casa que teve cuidado, estudo, narrativa, repertório, personalidade, alinhamento, tempo de projeto e tempo de implantação do projeto. São muitas camadas até chegar ao bom gosto”, conclui a arquiteta.


Sobre a arquiteta Isabella Nalon
Com uma carreira sólida e experiência proveniente de mais de 30 anos de trabalho, Isabella Nalon percorreu uma trajetória de muitos estudos e pesquisas na área de Arquitetura e Decoração. Iniciou sua carreira atuando como arquiteta na Alemanha e, em 1998, inaugurou seu escritório em São Paulo. Se especializou em projetos arquitetônicos residenciais, comerciais e de decoração de interiores. Possui uma visão plural e ampla de diferentes culturas e públicos, o que se tornou um diferencial em seu percurso profissional. Cada projeto desenvolvido pelo escritório é único, com muita harmonia, elegância e criatividade. Frequentemente, tem obras reconhecidas e publicadas por renomados portais e revistas de arquitetura e decoração, consolidando o escritório na lista dos mais importantes da capital paulista.

Instagram: @isabellanalon |  Site: www.isabellanalon.com |  Youtube: Isabella Nalon |  Tel.: (11) 94453-5500 | Setembro / 2026

Informações para a imprensa:  dc33 Comunicação | Henrique Araújo – pauta@dc33.com.br | Glaucia Ferreira – coordenacao@dc33.com.br | Danilo Costa – danilo@dc33.com.br |  (11) 98125-7319 | www.dc33.com.br | @dc33comunicacao

escrito em 16/09/2026 por Renata Mascarenhas

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