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Sustentabilidade e resiliência das cidades exigem nova visão de planejamento urbano

Publicado em 07/08/2026
Sustentabilidade e resiliência das cidades exigem nova visão de planejamento urbano

A transição das cidades brasileiras para um modelo mais resiliente e sustentável exigirá a adequação dos planos diretores em vigor e uma mentalidade nova para o planejamento urbano. Tais ações são parte dos passos concretos sinalizados por especialistas durante o painel Políticas Públicas: Regulação, Métricas e Padrões para a Transição Climática Brasileira do Construindo Cidades Resilientes – Fórum de Desenvolvimento Imobiliário, Construção e Finanças Sustentáveis, realizado na manhã de quinta-feira (06/08) em São Paulo, na sede do SECOVI SP.

“Temos muito planejamento, metas, e agora é testar”, avisou o vice-presidente de Sustentabilidade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Nilson Sarti. “Os planos diretores precisam levar as métricas em consideração para mitigar os impactos das mudanças climáticas”, acrescentou. Segundo ele, os paradigmas estabelecidos pelo Plano Clima, pela Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) e outros marcos regulatórios devem ser absorvidos nas normas associadas ao planejamento urbano.

Iniciativa conjunta da CBIC com a ABRAINC, GBC Brasil, Saint-Gobain, Secovi-SP e SindusCon-SP, o evento reuniu especialistas, representantes do setor produtivo, formuladores de políticas públicas e instituições financeiras para discutir ações concretas para acelerar a agenda de sustentabilidade no setor da construção e no desenvolvimento urbano brasileiro. O fórum buscou aprofundar o debate de soluções práticas para ampliar o financiamento sustentável no setor imobiliário e de infraestrutura.

Secretário Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, ​Aloisio Lopes Pereira de Melo sintetizou o momento atual como aquele em que é preciso transformar em ação metas, métricas, indicadores e demais eixos expostos no Plano Clima, cuja discussão já amadureceu. “Os impactos ambientais são evidentes, uma realidade no mundo”, ponderou.

Segundo ele, no Brasil, o desafio é identificar a forma correta de aplicar as métricas estabelecidas pelo Plano nos projetos de infraestrutura e habitação, assim como tornar nítido o potencial de geração de resultado financeiro de tais iniciativas para tornar o investimento atraente. O secretário defendeu que, diante das metas estabelecidas, é necessário estabelecer ações práticas e alinhar a atuação do setor público e privado para que essa agenda ganhe efetividade.

Visão de negócio – “Para tornar o espaço urbano e as edificações menos vulneráveis, cabe revisar os códigos e outros ordenamentos urbanos e alinhar”, disse Pereira de Melo. Ele também mencionou a importância de serem fixadas metas para adequar a habitação popular.

Cofundadora do Orbis Instituto, centro independente de inteligência estratégica, e membro da Sustainable Business COP (SB COP), aliança global do setor privado voltada para as negociações climáticas da ONU, Maria Emília Peres trouxe um panorama da concertação global em torno da agenda climática e destacou a participação do Brasil em fóruns de alto nível.

Segundo ela, a SB COP – criada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) para inserir o setor produtivo brasileiro na COP 30, superou a fronteira brasileira e terá suas atividades mantidas: neste momento, o colegiado engaja 40 milhões de empresas, em 60 países. “A SB COP tornou-se um movimento global, já chegamos à Turquia”, disse Peres. O Institutos Orbis, por sua vez, atua focado na transição das cadeias de valor, aplicando à pauta da sustentabilidade uma visão de negócio. “Um dos nossos desafios é que faltam dados do Brasil, é difícil posicionar os setores brasileiros”.

Líder em Transição Energética e Políticas Públicas do Mitsidi, ​Laisa Brianti, trouxe um panorama sobre a implementação dos índices mínimos de eficiência energética no Brasil: a adoção do Plano Edifica terás início em 2027, pela adequação do setor público. “Houve uma discussão sobre como criar a avaliação de conformidade e houve consenso para seguir os requisitos do PBE e uma autodeclaração”, explicou Brianti.

Segundo ela, neste momento está sendo estruturada uma plataforma para acompanhar a implementação do plano e monitorar seu desempenho, tendo como objetivo agilizar a etiquetagem e gerar métricas. “Não haverá impacto financeiro ou imposição de burocracia, vamos atuar alinhados à norma de desempenho”.

Visão de longo prazo – Em sua participação, a representante da CBIC no Comitê Consultivo da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) e coordenadora técnica do Comitê de Meio Ambiente (COMASP) do SindusCon-SP, Lilian Sarrouf, afirmou que o Comitê já discute uma segunda fase da TSB, agregando outros temas estratégicos como trabalho e desigualdade de gênero, com vistas a incorporar interfaces novas ao arcabouço da ferramenta.

“Construída a Taxonomia, agora conduzimos a fase de testes e estamos discutindo outros assuntos”, afirmou. Segundo ela, a TSB representa uma oportunidade de ampliar a oferta de recursos para empreendimentos sustentáveis e o setor da construção será parte desse avanço. “Não precisamos inventar a roda, basta mostrar o que é feito”, disse, destacando que o setor está preparado, evoluiu, e tem “poder” para transformar. “Haverá uma nova fase, em que poderemos alcançar empresas de menor porte, pequenas e médias”.

Vice-presidente de Sustentabilidade da CBIC, Nilson Sarti sinalizou que os paradigmas dos novos marcos ambientais – tanto a TSB, quanto o Plano Clima – serão incorporados ao escopo do projeto O Futuro da Minha Cidade, iniciativa pioneira da CBIC conduzida pela CMA para estimular a participação da sociedade no planejamento estratégico das cidades.

O tema tem interface com o projeto “Finanças Sustentáveis para a Construção”, da Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CMA) da CBIC, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Fotos: Divulgacão/Secovi-SP

fonte: https://cbic.org.br/sustentabilidade-e-resiliencia-das-cidades-exigem-nova-visao-de-planejamento-urbano/?utm_medium=email&utm_campaign=cbic_hoje_-_07082026&utm_source=RD+Station

escrito em 07/08/2026 por Renata Mascarenhas

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